terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu ando lento se preciso for

Tenho vergonha das minhas vontades,
Por isso, e não talvez por isso,
Eu não olhe para trás, apenas para os lados,
De forma que eu possa me cuidar.

Minhas vontades são as verdades que não vão transparecer.
Por isso, e não talvez por isso, olho para baixo e para cima,
Só assim posso me proteger.
Não me espere.

Não espere que eu olhe para trás,
Eu não olho para trás.
Por isso, e não talvez por isso,
Meu olhar é para frente, para os lados, 
Para baixo e para cima.
Para não sofrer.

Só não esqueça de um pequeno detalhe:
Eu possuo uma excelente visão periférica.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Meu zoológico

Entrei em pânico quando minha tia disse que eu tinha que comprar lençóis novos. Só porque os meus tem elefantezinhos, leõeszinhos e zebrinhas.
Senti um tom de:"Você precisa crescer!".
Mas quando minha tia falou dos meus lençóis, será que ela pensou que talvez eles sejam as únicas coisas que não cresceram em mim?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Retrato do inerte

Ela abriu os olhos, despertando sobre a grama verde, era outono.
Sua primeira visão foi do céu, que naquele dia não estava azul e límpido.
Suas pupilas pareciam dilatadas, tudo tremia, tudo ao seu redor e dentro de seus seios.
Sentiu os lábios tremerem e seus cabelos tremiam ao vento, que anunciava a chuva fora de época.
Seus cabelos se confundiam com o tremor da grama. Ah! Se não fosse o preto de seus cabelos, eles seriam um só.
Naquele momento apenas algo importava. Naquele dia ela descobriu, descobriu que seu corpo tremia por ter descoberto um mundo novo.
O meu mundo!


26/03/2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Escuro

Eu não faço amor.
Eu faço sexo, eu trepo.
Eu sinto as curvas na palma da minha mão.
Eu sinto os lábios embaixo da língua.
Eu sinto o olhar me queimando.
Sinto os cílios se esbarrando.
Gosto de sentir as unhas dos pés se atracando em minhas pernas.
Não quero fazer amor.
Quero apertar, quero amassar.
Eu quero sentir a pele embaixo de minhas unhas,
Quero sentir o sangue dos arranhões em minha garganta.
Quero sentir dor de mordidas.
Sinto meus cabelos dando nós.
Eu não faço amor,
Porque eu sou o amor.


Para Xú

Tempo à tempo

Olhando para o lado não se enxergou no outro.
Olhando para si percebeu que, um dia, se perdeu.
Sem infância, sem adolescência, mesmo que criado socialmente.
Perdeu o tempo, mas a culpa não foi sua.
Sempre um passo à frente, ao mesmo tempo, talvez, sempre um passo atrás.

Cresceu muito rápido esse rapaz, cresceu perdido, ao mesmo tempo achado.
Se achou em uma mentalidade que não queria que fosse a sua.
Deu adeus a sua eterna criança.
Hoje, só sabe brincar com o tempo e com as palavras.
Fala de sexo sem pudores, fala de amor sem remorso.

A ferida abriu-se ao nascer.
Ele apenas é fruto de um tempo que perdeu, e não volta.
Então agora ele vive o tempo perdido, com um copo de cerveja, um cigarro e muita música.

Para Maíne

terça-feira, 5 de março de 2013

Cor

Como pode alguém ficar bem depois de uma ressaca?
Depois de uma noite mal dormida?
De sonhos não realizados?
Como é possível andar depois de uma fratura?
É inaceitável acordar depois de um pesadelo!

Mas então lembrei,
Mesmo com a falta de métrica
Ainda existe coerência em ser.
Existe ar nos pulmões.
Mesmo com o gosto de sal,
Ainda se sente o cheiro doce.
Ainda se vê a estrada de pedras amarelas!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Nuvem passageira

Que o mistério do medo que tenho não me deixe ser triste onde estou.
Que a felicidade que trago em meu peito seja reflexo das possibilidades vividas.
Que a carência corporal não me faça abafar o esplendor do brilho.
Que o sol não me deixe omisso ao seu calor.
Que o brilho tardio das estrelas me faça lembrar o que passou com sístole rítmica.
Que as nuvens me lembre que durmo bem em meu travesseiro.
E que o assovio da música me lembre minha respiração ofegante pelo amanhã...

 Na perda de si, o eu interior morre como uma lagarta! Mas afinal, tal qual a lagarta, nada se perdeu!  Tudo desabrochou!  Agora, coragem pa...