segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Quem é ela que nos espera na janela" II

Inicio esse texto pedindo permissão a Bianca Alencar para o uso do título. E acrescento a explicação do porquê estou repetindo esse título, não por falta de criatividade o suficiente, mas sim porque o título cabe bem as descrições a seguir.


Você comemora seu aniversário, não porque você nasceu nesse dia, mas porque é o dia de lembrar da noite e dos abraços.
Hoje não será apenas seu aniversário, é  aniversário da noite, dos apertos de braços e corpos, das escapulidas para brincar, rir, beber, beijar.
É tanta informação, mas vou começar pela primeira.
Possuída pela arte de abraçar, você é daquelas que de longe sinto um acolher do corpo através do olhar, não mais misterioso, apenas evidente.
Abraço, acho que resumi todo o sentimento que tenho por você.
Boa em descrever, escrever, correr.
Desse jeito meio torpe te encontro em todas as janelas que passo pela noite.
Identifico as casas como se dessas janelas eu fosse te ver, pular, com o pé desproporcional ao tamanho de seu corpo, você não perde o equilíbrio ao pular.
Seu equilíbrio está perdido em algum medo(nós sabemos de que), medo esse que tento suprir com meus braços desajeitados e palavras desconexas, sem sentido, mas com afeto.
A noite, não importa a fase da a lua, jamais influencia sua fase. A moça da noite, a moça da lua, a moça da janela.
Perdida e achada nas dobradiças de aço de sua alma. Suas palavras se perdem no meu raciocínio, no seu raciocínio, suas palavras me confundem, suas palavras te confundem, você transmite sua dor, eu aceito sua dor, confusão, seu amor reprimido.

Você é tanto, que hoje não é o seu aniversário. Hoje é o aniversário do abraço,  da noite, meu aniversário.
Meu aniversário, e falo isso de forma egoísta, pois você me presenteia com sua visão todos os dias, mesmo que apenas em minha memória, e com a ansiedade de me perguntar quanto tempo irá durar nosso abraço mais longo.
Abraços que se estendem, o que antes durava um segundo, hoje poderíamos prolongar nosso abraço por semanas.
Nosso abraço, o seu abraço é físico e psicológico.
Você não para de me abraçar quando nossos corpos se separam.
Me abraças em seus textos, em seus sorrisos, você me abraça com os seus abraços.
Me torno ser da noite com você, me torno um vampiro em transição por você.
No seu aniversário, me leve com você à uma janela, a lua, ao interior do rio que você está sentada à margem.
Serei sua companhia no momento dos segredos, das dores e dos sorrisos.
Você que espera na janela o momento em que a porta vai se abrir para não precisar mais pular, apenas caminhar.
Eu estarei te esperando.


Parabéns minha amiga.

ps: Sim, seu presente veio adiantado, senti vontade.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Determinam

Apesar dos discursos do politicamente correto, eu me enganei.
Ouvi músicas no passado que pareciam determinar quem eu era.
Li livros que determinavam meus pensamentos.
Quase sempre a "satisfação" era uma palavra que fazia sentido em minha boca.

Eu me enganei.
Hoje não acho minha letra mais bonita ao escrever à lápis.
Não me satisfaço com músicas de bar.
Eu fiquei na lembrança de muitos, muitos ficaram em minha lembrança.
Sou boa em contar histórias.
Sou boa em "a-DEUSES".
Os livros que leio determinam meus pensamentos.
As dores de cabeça são por causa da música alta, que antes era tão baixa.

Eu me enganei.
Não amei todos, mas não deixei de amar ninguém.
Meus passos não são mais ao acaso, agora caminho como a humanidade.
"A passos de formiga e sem vontade(...)"
Agora estou decidida.

Eu me enganei.
                      Continuo enganada.
                                                     Por favor, que eu sempre me engane.

domingo, 14 de julho de 2013

Gerações

Outro silêncio.
Torturante.
Não tem nada no mundo mais irritante que o silêncio.
Não vem com esse papo de adivinha, de que o olhar diz tudo,
Que os gestos valem mais que mil palavras.

Nada paga uma palavra bem dita,
Nada pode ser trocado por uma frase de efeito.

Até nas brigas, de que vale o silêncio se sua dor vai te consumir?
Fala-se para não ser consumido por uma dor pequena que o peito insiste em aumentar de forma exagerada.
Preferível falar, gritar, explodir, xingar a ter que calar.

Precisamos nos irritar.
Nos irritar com o injusto.
Nos apegar as palavras bem ditas.

Somos fáceis de lidar, mas vocês são bons demais para ouvir.
Não é mais a boca que fala ou grita,
É o que vocês querem que apenas nos consome,
O silêncio, o olhar, os gestos, os cabelos nada sedosos por preguiça.
Não se pode falar, 
Nosso corpo responde, em silêncio,
Mesmo assim,
Não ouvem.
São surdos de alma.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma viagem

Andar de ônibus é uma glória, não porque comprovo minha pobreza, mas porque se vê gente.
É, gente, não gente por gente, mas "GENTE".
Você observa os olhares, observa o jeito e a roupa, como se cada gesto mostrasse o mais profundo de alguém.
Parecem todos bonitos, não pela feição cansada e envelhecida, ou pelos ombros baixos das pessoas que pensam em seus amores e desempregos.
Bonitos por estarem vivos, porque suas esperanças não acabaram.

A criança no ônibus quer "puxar a cordinha" pela primeira vez na vida, como se fosse o primeiro ato de liberdade, ao crescer, percebe que talvez descer do ônibus seja seu maior ato de prisão.
Essa é a maior fé. A fé no ônibus que está chegando e que vai levá-los para casa, para sua prisão, [paradoxo] para esquecer do fardo que é carregar o peso da vida.
Carregamos instintivamente, e não por querer, o peso do mundo, o peso do outro, daquele que encosta a cabeça em seu ombro e dorme "no ônibus". Você carrega o peso do outro concretamente.

O ônibus é divino, é o concreto do ir e vir.

O carro não, a moto também não. Esses se limitam em pudores e gozos.
Esses transpiram (in)diferença, não o ônibus.
O ônibus é o lugar onde ocorrem os maiores atos de preconceito ("não vou sentar ali, ele(a) parece mal encarado"), e de encontro (de cheiros, toques, raivas), de amores (pelo perfume, pela roupa), de dores (de cabeça, nos pés, nos joelhos), de choros (de uma despedida à pouco), de esperanças (de descansar, de assistir tv, de ouvir sua música, de ler), de medos (de dar "prego"), de arrepios (de odores, de tesões), de encantos (pela rua vazia para o ônibus trafegar rápido para chegar na "prisão").
Só nesse lugar tenho o tempo de uma viagem para avaliar quem senta ao meu lado, ou avaliar quem nem está no ônibus.
Só no ônibus o mundo é tão vazio a ponto de me fazer pensar na morte. A morte da viagem, da partida, do outrem ao lado.

As dúvidas

Poesia em curso

domingo, 23 de junho de 2013

It's over

Para você que deixa as meias brancas ficarem pretas por preguiça de lavá-las à mão, e as joga na máquina de lavar.
Você que não toma remédio para dor de cabeça quando está com enxaqueca de consciência.
Você que insiste em falar que mudou, só porque agora olha para os dois lados antes de atravessar a avenida de mão única.
Boa sorte para você que insiste em fazer correnteza em uma piscina, para se sentir em perigo.
Você que prefere deixar as pessoas irem embora sozinhas por medo de levá-las até o ponto.
Você que não olha para o céu, mesmo quando ele está azul, por vergonha das nuvens olharem seus olhos castanhos.
Boa sorte para você submisso demais a você mesmo, a ponto de esquecer que seu coração e mente machucam alguém além do seu "eu".

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Em agradecimento Bianca Alencar

Holística?

                                                                                                                                  Talvez



Talvez para você. Não sei se eu falo que escrevi isso depois de meses pensando, ou se falo que escrevi por acaso, naquele momento que minha cara soa sacana, aquela cara que você conhece, e afirmo estar sentada de perninha de índio para escrever melhor.

Admiro seu jeito de vestir, sempre achei lindo e estiloso, da mesma forma estilosa que sua inteligência funciona. Como se a cada passada de mão na franja, acompanhada de um sorriso amarelo e seguido de um abaixar de cabeça, significasse que você foi de Dalí até Voltaire, passando por Foucault, e fazendo um breve lanche em Nietzsche, para alcançar a própria “Lei do Retorno”, o que te faz chegar a um copo de cerveja e às preocupações.

Não custa frisar que só seu silêncio desvenda tanto mistério qe você carrega. Chegamos então ao ponto do seu olhar, o seu olhar sempre triste e com pálpebras baixas(juro que é seu charme) como se sorrisse do contraditório, como se pensasse demais no pensar infinito. Nem eu, holística, posso te desvendar. Será esse seu mistério? O seu olhar? Muitas pessoas já ouviram falar que tem um olhar misterioso, mas eu acho que o seu sabotou o nível mais alto de olhar, o seu é de longe o mais enigmático e bonito olhar que já pude também olhar. Já me sinto como fazendo parte de você, apenas em mim.

Holística, eu?

Sim,  agora eu preciso saber do seu todo para ser um só, para ser eu.


P/ Bianca Alencar

 Na perda de si, o eu interior morre como uma lagarta! Mas afinal, tal qual a lagarta, nada se perdeu!  Tudo desabrochou!  Agora, coragem pa...